terça-feira, 19 de abril de 2011

1ª IGREJA CRISTÃ EVANGÉLICA DE AÇAILÂNDIA
Jesus Cristo, Nosso Fundamento.









Pr. Raimundo Marques Neto


AÇAILÂNDIA – MA
2011

Pr. Raimundo Marques Neto

Ao alunato

Enfrentamos atualmente na história da igreja evangélica brasileira um desvio de propósito quanto a sua liderança, como o pêndulo de um relógio, ele nunca está no centro, pois quando não está de um lado está no outro, a não ser quando se encontra com defeito, ele para e deixa de cumprir o seu objetivo, que é de fazer com que a máquina funcione.
Estamos observando também uma interpretação equivocada da função diaconal, isto é, ser ou está diácono é simplesmente um status, onde a função dar lugar a vaidade, o poder, a benefícios, a ser visto pelos homens, reputação política eclesiástica, gozar de reconhecimento desses ou daquele líder. A razão bíblica do diaconato fica á margem para dar lugar a interesses denominacionais.
Este curso tem o propósito de procurar esclarecer o cargo em alguns ramos religiosos e denominacionais e ao mesmo tempo procurar mostrar à luz da bíblia a razão da sua existência e a sua principal função, analisaremos este aspecto no uso da hermenêutica bíblica, procurando ser fiel ao máximo ao texto sagrado.
Esperamos que ao final desta empreitada intelectual e espiritual possamos rever nossos conceitos e quebrar alguns paradigmas históricos e denominacionais buscando focar o verdadeiro sentido da palavra e da função que a acompanha.
Espero poder contar com a vossa atenção e paciência, quando falo atenção estou querendo dizer focar mente e coração nas nossas aulas e a paciência será necessária para realizar as leituras que serão obrigatórias, somada as necessidades de pesquisas que precisarão ser realizadas, para isto poderão dispor de livros de minha biblioteca particular.
O diaconato ou διακονία é simplesmente serviço ou servir, aquele que serve, digamos um serviçal, garçom, que está pronto quando solicitado para fazer alguma coisa. Analisaremos isto mais detalhadamente no decorrer deste estudo, chamamos atenção apenas nesta parte introdutória para o aspecto funcional da palavra διάκονο.
Espero que cada um dos irmãos possa aproveitar o máximo este tempo e material; entendam que aqui não estamos gastando tempo, e sim investindo no conhecimento para que possamos melhor servir ao Senhor e conseqüentemente a sua igreja, pois conhecer mais faz com que sirvamos mais e sirvamos da melhor maneira.



ÍNDICE

01. Termos gregos para SERVO

02. O diácono na história da igreja
a. Igreja primitiva
b. Igreja patrística
c. Igreja Católica
d. Igreja protestante
e. Igreja contemporâneo-moderna

03. O diácono na bíblia
a. O contexto e a razão do seu surgimento
b. O local do seu surgimento
c. Quantidade e requisitos para sua escolha
d. A forma da sua escolha
e. O seu serviço específico
f. A duração temporal do seu serviço

04. Qualificações bíblicas para o diaconato
05. Qualificações denominacionais para o diaconato
06. O serviço diaconal – três mesas
a. Mesa das viúvas
b. Mesa da igreja
c. Mesa do pastor

07. Diaconía material ou espiritual?
08. Serviço eclesiástico e ordenanças
09. O que o diácono precisa saber
10. Código de ética do diácono
11. Conhecendo a sua igreja
12. Conhecendo a sua denominação e os seus documentos
13. Conclusão

14. Anexos
• Estatutos – AICEB e ICEA
• Regimento - ICEA
• Declaração de Fé - AICEB
• Carta de S. Luís - AICEB







01. TERMOS GREGOS PARA SERVO

DOULOS – Escravo ou Criado = Lucas 1:38 e 48; Romanos 1:1; Filemom 16. Que poderia se referir tanto a escravo comprado como criado em casa.
DIÁKONOS – Servo ou Serviçal = Marcos 10:43-44; Filipenses 1:1; Atos 6:2-3. A palavra pode ser aplicada também a garçom.


02. O DIÁCONO NA HISTÓRIA DA IGREJA

O conhecimento histórico é uma ferramenta necessária para aqueles que desejam compreender o início das coisas e sua evolução, pois o passado ao mesmo tempo em que não pode engessar nossa mente ela não pode ser renegada ao esquecimento, pois os elementos que ela nos fornece são extremamente necessários não só para uma melhor compreensão como também para aqueles que desejam fazer uma análise fiel do presente, observe bem, procurar entender o hoje sem o ontem é não acreditar no amanhã.
a. Igreja Primitiva
Fica fácil observar que durante o ministério público de Cristo não havia entre os discípulos esta categoria específica de função, no entanto em Lucas 10: 40 temos a menção da palavra referindo-se a Marta que se ocupava com “...muitos serviços.” Lidava com os serviços da casa.
Esta categoria é iniciada e oficializada em Atos seis. Trataremos mais especificamente disto no próximo ponto.
b. No período da patrística
Este termo é assim conhecido como o período dos Pais da Igreja, pais não sentido de geradores e sim defensores, articuladores e sistematizadores da doutrina e da fé num período crítico da igreja dos primeiros séculos, e isto se dava diante da realidade da infiltração de correntes contrárias aos ensinamentos de Cristo Jesus e surgimento de algumas doutrinas novas vindas de alguns lugares que visava um sincretismo que se pretendia aceito pelas comunidades cristãs. Entre eles temos alguns nomes famosos como: Clemente, Inácio, que foi executado no início do segundo século pelos romanos, Policarpo, Pastor de Hermas, Papias, Irineu, Tertuliano, Hipólito e outros.
Neste período a função diaconal foi mantida sem alterações do seu projeto original, isto é, serviço das necessidades sociais da igreja, no entanto eram homens de boa reputação e ilibado testemunho, por esta razão eram utilizados para funções espirituais, registra-se também que foram usados como guardas dos locais de culto no período da perseguição.
c. Igreja Católica
Na igreja neste período eram conhecidos como “Ministério Menor” vindo a receber depois outro nome, o de hostiário, tinha a função de guarda dos bens materiais do templo, manter a tranqüilidade e a ordem dos lugares de culto, levava eucaristia para os membros doentes da comunidade. Mais tarde e de acordo com as necessidades cada bispo retirava ou acrescentava funções ao cargo, usando-os até mesmo como leitores na liturgia.
Para a igreja Católica Romana, o diaconato permaneceu florescente na igreja do ocidente até ao Século V, que depois por várias razões desapareceu, sendo restabelecido pelo Concílio Vaticano II realizado em 1967 sob o comando do Papa Paulo VI, no Motu Próprio Sacrum Diaconatus Ordinem que em 31 março deste ano foi publicada as Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos.

d. Igreja protestante
Na igreja protestante esta função continua, no entanto dependendo da comunidade ele possuía funções diferentes, absolveu muito da maneira como era utilizado, agora na igreja católica romana, em outras seu serviço ficou restrito a função original, servir nas necessidades sociais do povo.

e. Igreja Contemporâneo-Moderna
Hoje esta função continua mesma, no entanto a denominação lhes agrega outras responsabilidades, em umas o cargo é vitalício em outras é temporária, para algumas é requisito para galgar outros cargos dentro da denominação, isto é, existe uma hierarquia sacerdotal. Nas igrejas históricas, mais conhecidas de nós, por exemplo, a Batista e a Presbiteriana, eles assumem funções idênticas com responsabilidades diferentes, no caso da AICEB, ele acumula a função tanto social, como administrativa e espiritual, mais as duas ultimas que a primeira.

03. O DIÁCONO NA BÍBLIA
Deixando agora as fontes documentarias e históricas devemos partir para aquela fonte que nos é confiável, isenta de todo tipo de interesses, quer sejam pessoais, religiosas ou denominacionais, para isto vamos ao único texto que trata sobre o assunto, Atos capítulo seis.
a. O contexto e a razão do seu surgimento
Atos 6:1 – Duas palavras são chaves e reveladoras aqui para mim, uma expressa que é: “esquecidas” e outra é por inferência, “Acepção de pessoas”. Observe que a necessidade de diáconos surge dentro de um contexto não de descaso, mais da impossibilidade dos apóstolos de fazerem a coisa certa do jeito certo, veja Atos 2:45; 4:34-35 e 5:2.
Como a comunidade havia crescido e ficaram sem aquele que cuidava do dinheiro e também os crentes agora não tinham mais nacionalidade específica, parece que os hebreus estavam em vantagem, se não em número pelo menos em origem, o certo é que aquelas helenistas, isto, judeus de descendência grega, estavam sendo “esquecidas”. Surge aqui o primeiro problema na igreja primitiva que corria o risco de ver descaracterizada a comunidade cristã que estava caindo na simpatia do povo.
b. O local do seu surgimento
Jerusalém, porque ali a comunidade crescia e de desenvolvia espiritualmente, estavam ainda cumprindo Atos 1:8 do “Ser testemunha em Jerusalém”. A perseguição era tremenda e cruel, veja o apedrejamento de Estevão, um dos diáconos escolhidos.
c. Quantidade e requisitos para sua escolha
Sete – O numero de sete diáconos era o suficiente para suprir as necessidades, até mesmo porque a sua função era específica, assistir as viúvas no suprimento das necessidades materiais, ou chamada “... distribuição diária.” Atos 6:1, e não consta que existiam muitas, apenas é importante notar que os sete escolhidos são de nome helenistas, isto para que as viúvas deles não ficassem desassistidas, entendo eu.
Boa Reputação – A palavra reputação no grego expressa o caráter moral e social do indivíduo, isto é, “tenha bom testemunho dos de fora...”, I Timóteo 3:7, a palavra expressa “testemunho” de onde nos vem o vocábulo “mártir”. O momento exigia pessoas de testemunho ilibado, que não pusesse em dúvida a seriedade e a honestidade com aquilo que iria administrar que era alimento e dinheiro, Atos 5:2.
Cheios do Espírito – Este aspecto da qualificação diz respeito a capacidade espiritual, eles não receberam este poder após as imposições de mãos, pelo contrário, eles já possuíam este poder, por esta razão foram escolhidos, era requisito básico para preencher o cargo visando um bom desempenho da sua função, que apesar de lidar com coisas materiais o foco de fato era um princípio espiritual, unidade cristã.
Cheios de Sabedoria – Sabedoria neste aspecto qualificativo diz respeito ao conhecimento possuído e como eles aplicavam isto a sua vida e no relacionamento com os outros, pois o problema era a discriminação racial dentro da igreja, precisava de alguém que pudesse lidar com isto sem trauma e sem queixa e sem deixar ninguém fora.
d. A forma da sua escolha
Interessante notar que aqui nós temos a primeira vez à menção dos doze após a escolha de Matias, lá era aproximadamente 120 pessoas aqui com certeza mais de três mil, podemos observar também o aspecto da forma como foi feito, uma lição também de democracia, pois a palavra aqui em Atos 6:3 “... escolhei...” e cinco “... elegeram...”, neste caso foi um processo de eleição, no versículo sete temos a expressão “... impuseram as mãos.” Impor as mãos aqui não denota transmissão carismática de poder, e sim um rito simbólico de que os apóstolos confirmaram mediante a sua autoridade a escolha dos diáconos e os consagraram para o exercício do ofício, sem nenhuma ação espiritual a posterior, pelo contrário, a ação do Espírito Santo em suas vidas já era manifesta e conhecida pela comunidade cristã.
e. O seu serviço específico
Originalmente o serviço estava restrito a solucionar uma dificuldade encontrada no seio da comunidade cristã primitiva, pois certas viúvas não estavam recebendo aquilo que também lhes era devidas, como a expressão dos apóstolos é: “... servir as mesas.” Entendo que a pluralidade expressa denota mais de uma mesa, e era fato, tanto dizia respeito a mesa das refeições comuns como a mesa do dinheiro, eles lidavam com a administração de bens, veja agora a necessidade de homens sábios. O que poderia acontecer era a continuidade da problemática existente, e quanto a isto não se nota mais nenhuma reclamação expressa, nem em Atos e em nenhuma outra carta.
f. A duração temporal do seu serviço
Não temos elementos suficientes que nos permita dizer ou falar sobre este ponto, no entanto a ausência de informações não deve ser um empecilho para não observarmos o versículo três que diz: “... encarregaremos deste serviço.” Para mim a expressão mostra o seguinte, que enquanto durar a necessidade durará o serviço, no entanto não confundamos serviço com aqueles que o desempenharão, o serviço continua os elementos que trabalham podem sofrer alteração, digo isto à luz da morte de Estevão há pouco tempo. Falaremos mais deste aspecto de duração de mandato no ponto posterior.

04. Qualificações bíblicas para o diaconato
Neste ponto vamos trabalhar o estudo dos textos de I Timóteo 3:1-13; 5:1725 e Tito 1:5-9. Analisemos aqui apenas a relação das qualificações como segue:


Irrepreensível Domínio de si
Monogâmico Justo
Temperante Amigo do bem
Sóbrio Apegado a palavra
Modesto Irrepreensível como despenseiro
Hospitaleiro Reputação ilibada
Apto para ensinar Respeitáveis
Não dado ao vinho De uma só palavra
Não violento Não cobiçosos
Cordato Não ganancioso
Inimigo de contendas Experimentados
Não avarento Respeitáveis
Governe bem a sua casa Não maldizentes
Não neófito Temperantes
Piedoso Fiéis


05. Qualificações denominacionais para o diaconato
Ao falarmos das qualificações denominacionais, nos referimos às exigências postas pela denominação ou igreja local, e elas sofrem variações, por exemplo: em algumas igrejas não é permitido diácono que tenha passado por um processo de separação conjugal ou divórcio; quem caiu em adultério em qualquer momento da sua vida; quem passou por algum processo de disciplina; quem não é dizimista; quem não tenha filhos crentes; quem é solteiro e etc. O certo é que para ser diácono ele precisa ser membro, e isto vem também porque em algumas denominações ele faz parte automaticamente da diretoria da igreja, e neste caso passa a ser também por necessidade legal de representatividade. Existe também a diaconia vitalícia, isto é, uma vez diácono ele o é até morrer, exceto quando o cargo é hierárquico, ele pode galgar outros cargos tendo este como requisito.
Na AICEB, observe o estatuto no Título V, Capítulo III e Artigo 48 inciso II combinado com Capítulo IV Artigos 50 e seus incisos aos 52. Primeiro entendamos que o cargo não é vitalício, consta nos estatutos da maioria das igrejas que o tempo de duração do mandato coincide com o da diretoria, isto é, dois anos, veja Estatuto Modelo Capítulo V Artigo 24, o que pode haver são reeleições indefinidamente, neste caso a igreja precisa ter o cuidado de evitar monopólio de famílias ou indivíduos, é bom pra igreja que haja uma rotatividade, nem que seja no sistema usado no Senado Federal que é a renovação de um terço dos seus membros.
No regimento Interno Modelo Capítulo III Artigo 8º, Capítulo V Artigo 19 e Capítulo VI Artigos 27, 30 e 31 com seus incisos.
Este aspecto denominacional do diaconato assume aspectos diferentes de acordo com a região eclesiástica, creio que em virtude do próprio contexto cultural, por exemplo, nas questões de formação acadêmica, hoje convivemos com uma igreja cada vez mais com uma gama enorme de formações e informações, pessoas com aceso maior aos vários meios de comunicação, acesso constante a literaturas tanto escritas quanto online ou virtual, isto faz com que esta igreja possa ter um maior engajamento na sociedade através dos seus líderes, não estou aqui desconsiderando aqueles que não tiveram oportunidade de estudar, sei que o diaconato não é uma função meramente social ela tem o seu aspecto espiritual, e aqui não entra a questão de formação acadêmica, creio apenas que ela lhe é auxiliar, até mesmo para uma melhor compreensão do texto sagrado. Para a igreja católica o seu diaconato precisa ter o segundo grau completo e uma boa condição financeira. Documento do Concílio Ecumênico Vaticano II 3ª Edição, 2004, Editora Paulus, páginas 146 e 147.





06. O Serviço Diaconal – três mesas
Por haver se diluído a razão específica da criação do diaconato na bíblia, esta função tem sido motivo de muita controvérsia nos meios denominacionais, hora fazem isto em uma e outra coisa em outra, ora tem poder nesta e não tem naquela, é permanente em uma e temporária em outra, exige-se qualificações diferentes nas diferentes correntes doutrinárias. Uma coisa, no entanto deve está em foco, a etimologia da própria palavra, que é: SERVIR, e por falar em serviços precisamos definir necessidades, e para uma melhor compreensão coloco isto em forma de mesas, tomando até mesmo uma das definições etimológicas da palavra que é garçom, e deixo claro que a ordem que as coloco não implica necessariamente um grau de importância ou prioridade.
a. Mesa das Viúvas
Viúvas no sentido em que originou o diaconato eram verdadeiramente viúvas, mulheres que haviam perdido seus maridos em razão da perseguição que se abateu contra a igreja do primeiro século, a bíblia não fala, mas entre elas estaria a mulher de Estevão. E foram expostas mais tarde condições de reconhecimento da viuvez pelo Apóstolo Paulo em I Timóteo 5:3-16 como:
• Desamparada, sem família para ajudá-la – vers. 4-5,16
• Com idade mínima de sessenta anos, casa uma única vez – vers. 9
• Consagrada a Deus e a sua obra – vers. 6,7 e 10
• Hospitaleira – vers. 10
• Tivesse filhos – vers. 10
• Mulher de oração – vers. 5
• Que não fosse maldizente – vers. 13
Isto implica em reconhecer e estabelecer critérios que surgiram diante do contexto social, religioso e cultural da época, e Paulo aqui fala a Timóteo sobre a necessidade de observá-los para evitar conflitos ou que alguém se aproveitasse da situação.
Hoje com certeza procuraríamos observar estes critérios analisando com mais profundidade outras questões, como por exemplo, a separação conjugal, onde a mulher fica com os filhos e criando-os com muitas dificuldades, e igreja não assiste por entender que não é de sua responsabilidade, veja o que diz I Timóteo 5:8. Talvez nós entendemos e defendemos os nossos motivos, no entanto, as crianças não entendem e elas só querem muitas vezes se alimentarem, não se importando de onde ou como venha.
Cuidar de suas mesas é procurar suprir suas necessidades materiais e espirituais, este suprimento às vezes pode vir mediante o conseguir uma atividade remunerada para que com hombridade e honestamente granjeie o seu pão, pois o trabalho dignifica aquele que o exerce. Conhecemos muito bem o slogan popular que diz: “Melhor é ensinar pescar do que dar o peixe”, o problema é que a igreja muitas vezes não faz nem uma coisa nem outra. Precisamos entender que nossa responsabilidade conquanto espiritual ele não nos exima de nossa responsabilidade social, Cristo deixou isto muito claro na maneira de tratar as pessoas, suprindo suas necessidades de alimentação, bebida, dinheiro e saúde.


b. Mesa da igreja
Ao iniciarmos este ponto é bom salientar inicialmente aqui que várias são as formas manifestas da “Mesa da Igreja”, e analisaremos cuidadosamente cada uma delas, lembrando ainda que os termos e as siglas aqui provêem da nossa lavra intelectual.
• Mesa da Ordem Financeira - MOF
O que aqui denomino de MOF é aquele aspecto do cuidado e administração dos bens financeiros e econômicos da igreja, há igrejas que já possuem no seu regimento a obrigatoriedade do diácono ser o tesoureiro da igreja, que neste caso obrigatoriamente passa a fazer parte também da diretoria administrativa, apenas lembrando que o Código Civil Brasileiro no capítulo das pessoas jurídicas não doutrina sobre este aspecto, isto é, não veda ou apóia.
Neste caso ele cuida de todos os bens a ele confiado e sobre eles deve prestar contas, utilizando-os para os fins previamente estabelecidos em estatuto, regimento ou decisão da assembléia, não pode e nem deve utilizá-los sem a prévia autorização de quem de direito, sob pena de responder por má gestão ou improbidade, cabendo-lhe as penas previamente estabelecidas, na ausência delas, o que determinar o fórum que o julgou, neste ultimo caso, é bom saber que o mesmo achando-se injustiçado por não ter direito de defesa ou se sentir ofendido pode recorrer a justiça comum e pedir indenização por danos morais, injúria, calúnia e/ou difamação.
• Mesa da Ordem Patrimonial – MOP
Aqui é o aspecto não somente de guarda e manutenção como também de catalogação, é bom que igreja designe alguns diáconos para cuidar exclusivamente disto, fazer uma relação completa dos bens móveis e imóveis da igreja, o que na linguagem contábil oficial denominam-se “Bens Ativos”, lembrando que ao longo tempo alguns sofrem majoração, por exemplo, os bens imóveis e por outro lado alguns sofrem depreciação, por exemplo, o mobiliário. O que de fato é importante que eles possam proteger, zelar e manter, especialmente porque é bem coletivo e não de alguns. Ao ver alguém praticando ato de vandalismo, como: Quebrar, riscar, rasgar ou outro ato que possa implicar na depreciação do bem, é de responsabilidade do diácono agir de forma a impedir tal ato, sob o risco cumplicidade. Ao observar uma torneira, chuveiro, caixa de descarga e etc. desperdiçando água, deve providenciar meios para que seja realizado o concerto, o mesmo caso aplica-se a luzes inutilmente acesas. Além de ser uma forma de cuidar o é também de proteger além de manifestação de consciência ecológica.
• Mesa da Ordem e Segurança Litúrgica – MOSL
Observe bem a expressão “Ordem e Segurança Litúrgica”, diz respeito exclusivamente ao serviço na cerimônia religiosa, aí implica horário de chegada com antecedência, que além do fator testemunho está incluído o de preparação do local; quanto à “ordem” quero dizer cuidar para evitar que qualquer fator externo e interno atrapalhe a liturgia, como entradas de pessoas embriagadas; pessoas a procura de um local para sentar ou a procura de alguém; entradas e saídas constante; crianças no hall de entrada ou transitando no corredor ou nas laterais, neste caso levá-los aos pais ou responsáveis; orientar aos irmãos para que procurem os lugares mais frente deixando os de trás para os visitantes, isto evita constrangimento; pedir aos irmãos que sentem mais próximo uns aos outros para deixar espaço aos que chegam depois.
Quanto à “segurança” diz respeito à atenção que se deve ter tanto com o ambiente interno como externo, incluindo ai o estacionamento, pois às vezes a iluminação é precária ensejando a ação de pessoas mal intencionadas; no ambiente interno verificar se não há bancos, poltronas ou cadeiras com defeito que possa colocar em risco a integridade física das pessoas, informarem aos idosos quando existirem locais de acesso que possa expor perigo dando-lhes alternativas de locomoção, principalmente ter cuidado especial com pessoas portadoras de deficiência física e/ou visual. No quesito “segurança” ainda se deve observar locais ou equipamentos que possa trazer algum perigo as crianças, como pontos condutores de energia elétrica, brinquedos com defeitos, buracos nas áreas comuns, é bom também fazer uma vistoria de vez em quando no berçário. Segurança interna é aquela que se deve está atento a todas as entradas e saídas, e estas devem estar bem sinalizadas como locais dos extintores de incêndio, saídas de emergências, escadas de incêndio se houver necessidade e lâmpadas de emergência, estes requisitos são requeridos pelo Corpo de Bombeiros Militar, ainda neste ponto deve-se ter uma atenção redobrada nos dias de festividades, pois a aglomeração pode trazer desconforto ou mesmo perigo além da necessidade de observar a entradas de pessoas que possa está com segundas intenções.
• Mesa da Ordem Administrativa – MOA
Competem ao conselho, diáconos no caso da AICEB o verificarem se quanto à administração está tudo em dias e em ordem, pois eles foram eleitos não simplesmente para dizerem “sim” ao pastor, eles receberam a confiança da igreja e a ela devem prestar contas, por outro lado não é um poder paralelo ou fiscalizador das ações pastorais antes é seu cooperador, auxiliar nas tarefas eclesiásticas. Podem a qualquer tempo pedirem informações, livros e até mesmo relatórios financeiros ou das atividades pastorais, tenho certeza que isto não o diminuirá, pelo contrário o ajudará, sabendo que existem pessoas que estão preocupados e querendo ajudá-lo.
Neste ponto é muito importante para os diáconos terem conhecimento dos estatutos da AICEB e da igreja local, seus regimentos, acompanhar suas decisões e recomendações. Veremos estes documentos posteriormente.
• Mesa da Ordem Espiritual – MOE
O conselho da igreja tem a sua função espiritual Capítulo V Artigos 27, 28 e 31 com seus incisos. Sendo um “Conselho Espiritual” precisa está bem com Deus e com os irmãos, precisa inicialmente colocar em ordem a sua vida espiritual, pois ele tratará das questões espirituais dos irmãos, veja o que diz em Romanos 15:1 e Gálatas 6:1, sobre a debilidade dos fracos. Compete ao conselho trabalhar para que haja ordem espiritual na igreja, não é uma tarefa única exclusiva do pastor, mais uma vez quero dizer que o conselho lhe é auxiliar.
Diante dos grandes desafios que se lhe reserva o diácono não pode pretender viver uma vida cristã medíocre, ele precisa ter uma vida devocional séria, um testemunho exemplar no seu lar no trato com a esposa e os filhos, evitar falatórios inúteis, não expressar palavra de julgamento a ninguém, não ter nem expressar ou externar palavras discriminatórias. Ser um excelente conselheiro, uma pessoa em que os membros possam confiar seus problemas ou dificuldades e para isto precisa conhecer a palavra do Senhor tanto para seu fortalecimento pessoal bem como adquirir conhecimento para ajudar outros. I tessalonicenses 5:14-15.
C. Mesa do Pastor
Ao adentramos a este assunto é bom inicialmente explicar que o diácono não está a serviço do pastor, ele não foi eleito pela igreja para isto, por outro lado não é fiscalizador das atividades pastorais nem está na função para satisfazer este ou aquele membro, alguém já disse que o diácono é o “ouvido e a voz da igreja”, ele reverbera o pensamento e o desejo da igreja. No entanto ela convidou um obreiro e precisa que ele seja acompanhado na execução das suas atividades e necessidades, mais uma vez, acompanhado aqui não é sinônimo de fiscalizado, o termo se emprega no aspecto de ajudado, e isto implica até mesmo um chamado a observação quanto a suas ações e palavras. Analisemos isto mais profundamente em termos de mesas.
• Mesa Administrativa
Compete ao pastor administrar o todo da igreja, isto é, as questões e materiais e espirituais da igreja, ele lida tanto com pessoas como com os bens da igreja, ele é que deve saber das necessidades, sobre o que fazer e desfazer, construir e derrubar, comprar ou consertar e etc. O diácono neste caso está aí para ser seu auxiliar, pois o pastor poderá ter a necessidade de delegar responsabilidades e cobrar resultados.
• Mesa da Família
Cumpre ao diácono no acompanhamento pastoral verificar o andamento da mesa da família do pastor, isto implica em observar as necessidades materiais do obreiro, como alimentação, vestuário, saúde e educação. Mais uma vez, não é fiscalizar e sim verificar se aquilo que a igreja oferece está suficiente para as despesas da família do obreiro, pois este aspecto é um fator de testemunho para igreja, e conseqüentemente evitará que o mesmo possa entrar em dificuldades financeiras junto ao comércio local contraindo dívidas, ocasionando uma má reputação para ele e para a igreja que trabalha.
Ajudar na orientação dos filhos do pastor, achegando-se a eles e se tornando muitas vezes seu conselheiro mor, para isto, o diácono tem inspirar neles confiança e autoridade.
• Mesa do pastoreio
Atos 6:2 “... Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus...” O pastor precisa dedicar-se aos estudos incluindo aí a leitura e as pesquisas; está informado diariamente dos acontecimentos, necessita de revistas, jornais e internet, passa a serem ferramentas também de trabalho. Livros são materiais essenciais no pastoreio, oportunizar momentos para que o pastor esteja participando de encontros, seminários, congressos e etc. são uma das formas da igreja ganhar também com isto mediante o acumulo de conhecimento do seu pastor, hoje em dia um curso superior é essencial para o obreiro, pois de certo tempo para cá o acesso a universidade ficou fácil e a igreja cada vez mais conta com membros que possuem alguma formação superior, e se faz necessário que o pastor se prepare melhor para atender esta geração, não que deixará de expor a “... palavra de Deus...”, pelo contrário, a formação superior lhe dará subsídios como melhor compreendê-la e aplicá-la. O pastor estudar não subtrairá o seu tempo, pelo contrário, somarão às necessidades da igreja. Saiba de um segredo antigo, você só consegue dar aquilo que recebeu e/ou adquiriu. Ao presentear o seu pastor pense em algo útil para ele e para a igreja. Enfim, tudo em que for possível o pastor deve ter tempo para dedicar-se a palavra deixando os aspectos do temporal com a liderança escolhida para este fim, como por exemplo: departamentos, comissões e ministérios afins.
• Mesa das obrigações sociais e trabalhistas
Quero iniciar este ponto com uma declaração, “O pastor não é um empregado da igreja”, primeiro porque pastor não é profissão é vocação, lamento que alguns colegas tenham assim entendido e procedido, tendo alguns até que chegam às barras do tribunal trabalhista. O que a lei reconhece é o seguinte para fins de previdência social, que o Ministro de Confissão Religiosa equipara-se aos autônomos, LEI 6.696 de outubro de 1979, Lei Orgânica da Seguridade Social 8.112 de 1991 e a Lei 10.170 de dezembro de 2000, e a jurisprudência de alguns Tribunais Regionais do Trabalho é que os mesmos não estão com vínculo empregatício assegurados pela CLT, não podendo se falar então em relação de empregado e empregador, os benefícios trabalhistas amparado pela lei que são oferecidos ao pastor é fator de favorecimento reconhecido por parte da igreja e da denominação e não aspecto de sua obrigação legal. É bom notar que não somente os tribunais brasileiros assim se posicionam, como também, dois casos julgados um na Corte de Dobai em 30 de maio de l984 e outro na Corte de Cassação Francesa em 20 de novembro de l986.
O que aqui lamentamos também é o fato de algumas igrejas terem incorporado a função de empregadora, chegando até mesmo estipular horário de trabalho e estabelecendo critérios de seleção para o pastorado, exigindo até mesmo o preenchimento de alguns requisitos ou enviando questionários pré-elaborados, isto é, a função pastoral em alguns momentos confunde-se com a de empregado e para algumas lideranças eclesiásticas, funde-se. (ponto para discussão em grupo)

07. Diaconia Material ou Espiritual
Com este ponto pretendo encerrar o assunto que temos discutido até aqui, aproveitando-o para introduzir outro aspecto da diaconia que é o conhecimento que se faz necessários das atividades do diácono enquanto representante da igreja local junto ao Conselho e Diretoria e ao mesmo tempo a necessidade de conhecer documentos oficiais, decisões e história da igreja local.
Pelo que conseguimos ver até o presente momento, há de se observar que o diácono tem função dupla, pelo menos no caso da AICEB, pois competem a ele as responsabilidades do andamento espiritual da igreja bem como do administrativo e material, pois ele assume responsabilidades ora do presbítero ora do diácono, cuida de bens materiais e assim como dos espirituais, sendo esta a sua responsabilidade, o seu cuidado é dobrado, precisa de muita sabedoria para não confundir suas atribuições, fazendo umas em detrimento de outras, no entanto podemos observar que no nosso caso, os pontos são bem distintos, só que deveria ser trabalhado também de forma distinta, em reuniões para tratar de casos administrativos e materiais não se poderia trabalhar casos espirituais, por que não haver pautas distintas e objetivas?





08. Serviço Eclesiástico e Ordenanças

01. Serviço Eclesiástico
O serviço eclesiástico diz respeito às atividades do diácono junto à igreja e para ela, como:
Visitação, Catalogação de famílias carentes, distribuição de cestas básicas, serviço à enfermos, cuidado com as faixas etárias, aqui pode se utilizar as habilidades e dons espirituais, segurança litúrgica com tudo aquilo que lhe implica, e etc.

02. Ordenanças
Sendo as ordenanças o Batismo e a Celebração da Ceia, cabe ao diácono sua preparação antecipadamente, o que vale dizer que significa no caso do batismo o diácono pode assumir até a Classe de Catecúmenos; observação do local onde se realizará o evento, se praia, se batistério interno ou externo, se piscina, se rio, se lagoa e etc. o importante é que se verifique quanto à segurança do local, a qualidade da água, o melhor local para entrar e a melhor forma de se realizar o batismo; observar também no ato batismal se haverá necessidade de bata, tolhas ou outra vestimenta para saída; quanto à roupa do batizando se está adequada para ser molhada sem deixar marcas ou transparências; ajudar no momento da troca de roupas, observando quanto ao gênero é claro, aqui os diáconos acompanhará os senhores e as diaconisas as senhoras. Observe que em alguns casos se precisarão utilizar o batismo por aspersão, nos casos de irmãos com dificuldade de locomoção, senhoras em seu período de menstruação ou outros tipos de impedimentos.
Quanto à celebração da “Ceia do Senhor” quem foi que disse que só as diaconisas é que tem de preparar os elementos? É de responsabilidade dos diáconos verificarem o local da celebração, como: Mesa, toalhas, quantidade e elementos e sua disposição, na celebração propriamente dita, verificarem a vestimenta pessoal, gosto que os mesmos usem gravatas; forma de distribuição, para agilizar e facilitar deve-se observar o numero de corredores e fazer a distribuição através dos mesmos ou fazer com que a bandeja passe nos bancos pelos irmãos. Pode ser vinho ou suco, deve ficar a critério da igreja local, o vinho é evitado naquelas que tem entre seus membros pessoas que tiveram problemas com bebida alcoólica. Quanto ao pão, a pergunta que tenho ouvido é se deve ser “Pão Asmo?”, isto é, sem fermento? Bem, eu pessoalmente não vejo problema com relação a isto, creio que depende da cultura, o importante, isto é, o deve ser essencial é o que disse Cristo: “... em memória de mim...”. A discussão pode levar a valorizar o elemento e não o que ele representa. Entre os caiapós tivemos a oportunidade de usar beiju, algum problema?

09. O que Diácono Precisa Saber - seguir
1º - Que a diaconia é simplesmente “SERVIR”.
2º - Que o serviço tem que exercido mediante os dons.
3º - Que deve conhecer seu temperamento e a sua personalidade.
4º - Que queira ou não os olhos estarão voltados para você e sua família.
5º - Que devem saber quais são os seus talentos pessoais.
6º - Que a compaixão tem que ser o seu forte.
7º - Que precisa está atualizado com relação às notícias sociais e teológicas.
8º - Que precisa está atento as necessidades do templo e da igreja.
9º - Que precisa conhecer sua bíblia
10º - Que precisa conhecer os documentos oficiais da igreja.
11º - Que precisa acompanhar o pastor.
12º - Que é um conselheiro espiritual.
13º - Que precisa ser confiável.
14º - Que precisa ser amável.
15º - Que precisa ser tratável

10. Código de Ética do Diácono
Este Código de Ética do Diácono – CED é apenas de caráter sugestivo, pois ele ainda não foi aprovado em nenhuma instância denominacional ou por igreja local, no entanto pretendemos colocá-lo para avaliação e deixá-lo aberto a sugestões para que possamos ver a possibilidade de levá-lo a assembléia da igreja para aprovação, passando a partir daí ser usado como norte para o exercício da função diaconal e a sua relação com a mesma.

CÓDIGO DE ÉTICA DO DIÁCONO

Capítulo I
APRESENTAÇÃO
Toda corporação tem necessidade de um conjunto de normas que norteie o relacionamento de seus membros, objetivando uma identidade comportamental que unifique as idéias básicas de sua existência.
No caso dos diáconos da 1ª Igreja Cristã Evangélica de Açailândia a necessidade se dar pelo fato de que apesar de serem eleitos por tempo indeterminado as responsabilidades inerentes ao cargo e a função são permanentes, neste aspecto as relações devem ser duradouras.
Portanto, mais do que nunca precisam estreitar seus laços de amizade, companheirismo e serem “mais que irmãos”, unidos no amor, na gratidão, na lealdade e fidelidade uns pelos outros.
Este é o sentimento e propósito do Código de Ética do Diácono.

Capítulo II
Das Regras Deontológicas Fundamentais
Art. 1º. O exercício do diaconato, exige conduta compatível com os preceitos da Palavra de Deus, do Estatuto, da Confissão de Fé e Regimento Interno da igreja, deste Código de Ética e com os demais princípios da moral individual, social e ministerial.
Art. 2º. Os princípios da ética cristã evangélica, baseiam-se no pressuposto de que cada diácono é livre e responsável para assumir uma postura condizente com sua condição de “homem” ou “mulher” de Deus, observando:
I. a verdade em tudo e no trato uns com os outros;
II. o respeito à pessoa e dignidade de cada um;
III. a justiça em não negar o direito e o bom nome que cada um construiu;
IV. a pureza no relacionamento.
Art. 3º. O diácono, não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta, lembrando sempre, a dignidade, o zelo, o decoro, seja no exercício do cargo ou fora dele, reconhecendo sempre a sublimidade de sua função. Seus atos, comportamentos e atitudes serão sempre direcionados para a preservação da honra e do bom nome do evangelho.
Art. 4º. A ética do diácono não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum, desprezando os meios ilícitos e aéticos.

Capítulo III
Dos Deveres do Diácono

Art. 5º. São deveres do diácono para com Deus:
I. buscá-lo em primeiro lugar;
II. Fidelidade absoluta a Ele;
III. Servi-lo é sua missão primeira;
IV. Ser devedor a Ele de si mesmo e de seu cargo;
V. Lealdade e obediência para com a Sua Palavra quer no ensino quer na prática.
Art. 6º. São deveres do diácono para consigo mesmo:
I. ter cuidado de si mesmo;
II. preservar em sua conduta a honra, a nobreza e a dignidade do cargo, zelando pelo seu caráter;
III. atuar com destemor, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa fé;
IV. velar por sua reputação pessoal e de sua função;
V. planejar suas despesas dentro da sua receita;
VI. exercer fielmente a mordomia cristã como exemplo dos fiéis, evitando envolver-se com débitos que vá além das suas possibilidades;
VII. zelar por sua saúde física e manter sempre boa apresentação estética e higiênica;
VIII. zelar por sua saúde mental através de férias e recreação, hábito da leitura e evitando a preguiça;
IX. zelar por sua saúde espiritual pela prática da vida devocional e o cuidado com a doutrina.
Art. 7º. São deveres do diácono para com sua família:
I. governar bem a sua própria casa;
II. manter autoridade e comando sobre o seu lar sendo sensível às necessidades de mudanças;
III. tratar com amor, ternura e cavalheirismo esposa e filhos;
IV. exercer a liderança espiritual do lar ensinando virtudes de valor bíblico;
V. encontrar tempo para a família, não super valorizando a rotina do trabalho;
VI. ter uma vida matrimonial regularizada perante a lei.
Art. 8º. São deveres do diácono para com sua Igreja:
I. cuidar da apresentação pessoal ao comparecer à frente para ministrar;
II. ensinar os princípios doutrinários da AICEB conforme sua Confissão de Fé e outros documentos congêneres;
III. ser cortês ao dirigir-se à igreja tendo cuidado com o seu linguajar;
IV. reconhecer que o ensino que é ministrado na Igreja é de exclusiva competência do seu obreiro; manter cuidado em convites a estranhos para pregar; zelar pela pureza do que é ministrado na Igreja;
V. ter consciência de que todas as famílias da Igreja são iguais. Não fazer acepção na assistência; acompanhar e apoiar a todos sem negligenciar as crianças, os idosos e os mais carentes;
VI. manter um comportamento sóbrio, cordato, humilde e digno; a autoridade deve ser preservada pela sua autoridade pessoal (moral e espiritual).
Art. 9º. São deveres do diácono para com os seus colegas:
I. zelar pelo bom nome dos colegas. Não falar mal, não criticar, não desprezar, não ouvir e nem permitir comentários inconvenientes de colegas pelo contrário, procurar honrá-los perante todos;
II. ao assumir a sua função, tratar com todo respeito o nome de seu antecessor e sempre que possível, elogiá-lo por algo de positivo que tenha feito ou deixado na igreja;
III. poderá participar na escolha do novo diácono, sem, contudo impor sua vontade ou preferência;
IV. apoiar e ajudar os colegas em dificuldades pessoais, materiais ou espirituais;
V. respeitar a privacidade dos colegas e evitar interferência em diaconatos anteriores;
VI. ter visão ampla do reino, buscando parceria e trocas de informações com colegas de outras denominações reconhecidamente evangélicas.
VII. ter cuidado com modismos, movimentos e outros métodos de crescimento;
VIII. manter discrição na relação com igrejas frutos de cisões.
Art. 10. São deveres do diácono para com sua denominação:
I. fidelidade aos seus princípios administrativos e doutrinários;
II. lealdade para com suas resoluções. Não expor perante a igreja ou pessoas, suas discordâncias. O lugar de discordar suas instâncias expostas nos documentos oficiais.
III. seguir o modelo de administração eclesiástica da AICEB;
Art. 11. São deveres do diácono para com a sociedade:
I. zelar pelo bom nome para com os de fora;
II. ter cuidado quanto aos ambientes que freqüenta, os amigos que tem e relacionamentos que mantêm;
III. ser uma referência na comunidade, pelo nome, nos compromissos, nos negócios, no procedimento;
IV. estar inteirado dos problemas da comunidade a qual pertence, sendo ativo sempre que possível em órgãos de classe ou conselhos;
V. tomar iniciativa em contato com a comunidade e mobilizar a igreja para trabalhos sociais.
Capítulo IV
Das Relações com o Governo

Art. 12. O diácono deve ser submisso às autoridades desde que não contrariem princípios bíblicos.
Art. 13. O diácono deve possuir mente crítica, reflexiva e profética, entendendo que direitos devem ser reivindicados e que isso não se constitui um ato de rebeldia contra as autoridades.
Art. 14. Deve propor juntamente com a comunidade ao poder legislativo novas leis que tragam benefícios à comunidade ou reformulação e extinção de outras.
Art. 15. Observar sempre suas obrigações e da sua igreja para com o governo em qualquer esfera quando derivadas de leis.
Capítulo V
Das Relações Político – Partidário
Art. 16. São deveres do diácono em suas relações político – partidário:
I. trabalhar na formação política de sua Igreja, a fim de desenvolver o senso crítico à luz da ética e das Escrituras Sagradas;
II. combater qualquer concepção política que rapte o direito do povo na participação e decisão dos destinos da nação, defendendo sempre o estado democrático de direito;
III. contribuir para a boa administração da coisa pública, por possuir pela autorização da lei, deveres como qualquer outro cidadão.
Art. 17. São direitos do diácono em suas relações político – partidária:
I. tomar parte na administração pública, por sua condição de cidadão e estar garantido e protegido por lei;
II. filiar-se a qualquer agremiação ou partido político cuja ideologia não seja incompatível com a Bíblia e a ética da AICEB;
III. concorrer a cargos eletivos do executivo ou legislativo, desde que não seja conflitível com suas funções de diácono;
IV. assessorar ou ser conselheiro espiritual de governantes ou membros do legislativo em qualquer esfera do poder, desde que não fira a ética cristã;
V. pronunciar-se do púlpito ou fora dele contra qualquer medida injusta, condenando qualquer tipo de injustiça;
VI. participar de fóruns de debates sobre problemas públicos tais como: Educação, Saúde, Segurança, Transporte, Moradia, Emprego, Meio Ambiente e outros.
Art. 18. É defeso ao obreiro da AICEB:
I. negociar os votos dos membros de sua Igreja com qualquer candidato sob qualquer pretexto;
II. dar apoio político a qualquer candidato em nome da igreja, sem a decisão da assembléia da Igreja;
III. desrespeitar a consciência política dos membros da igreja quanto a sua convicção política ou partidária e seu voto;
IV. oferecer o púlpito da Igreja para propaganda política independentemente da ideologia política ou religiosa do candidato.
INDICE
Capítulo I
Da Apresentação 1
Capítulo II
Das Regras Deontológicas 1
Capítulo III
Dos Deveres do Diácono 2
Para com Deus 2
Para consigo mesmo 2
Para com sua família 2
Para com sua Igreja 2
Para com seus colegas 3
Para com sua Denominação 3
Para com a sociedade 3
Capítulo IV
Das Relações com o Governo 4
Capítulo V
Das Relações Político-Partidário 4